segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sofia Caesar


Armadilha para fazer um vídeo coreográfico

A vontade de fazer um vídeo medido por questões externas ao corpo do bailarino se une ao mito da Medusa gerando este trabalho em três fases. A Medusa transforma em pedra quem a encara. Uma maneira de traí-la é fazê-la se olhar no espelho. O que definirá a edição do vídeo será o olhar do público para a câmera-medusa. A situação gerará um vídeo coreográfico ditado pelo público e sua relação com a câmera e o espelho (que o permite se fazer capturar pela câmera-medusa ou traí-la).

AlexiaBR55


Red Woman: Mulher Vermelha

Mulher Vermelha explora a relação da mulher feminista contemporênea e o feminino ancestral através de um ritual com sangue menstrual.



www.alexiabr55.blogspot.com

Rachel Souza

Nem 


Uma festa de debutante, com alguns signos tipicamente suburbanos. Teremos churrasco da melhor e pior qualidade, biritinhas no isopor, DJ-VJ e muita emoção pela data especial.

Gil Rodrigues

VAI – Visualizador de Arte Itinerante



Intervenção que investiga a exposição de trabalhos em diversas plataformas na galeria urbana. Utilizando projeção multimídia e articulação entre artistas, intenciona a ocupação de espaços públicos pela diversidade de linguagens, colaborando para a disseminação e circulação da arte de forma autônoma.


dogilrodrigues.blogspot.com

Coletivo 13 Numa Noite

Samba dos Feijões
Samba dos feijões é uma vivencia coletiva em que pessoas chacoalham, em sua espontaneidade individual, diferentes tipos de feijões. As ações de cada indivíduo somadas, reverberam, gerando uma massa sonora.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Casa

Templo ou fortaleza, refúgio ou espaço sagrado, a casa é um dos temas mais importantes dentro das culturas antigas.
Assim como o próprio corpo humano, que também é "habitado", a casa é sempre alvo de toda uma série de tabus e de considerações
de ordem mágica. Mesmo os povos nômades, cuja habitação não passa, muitas vezes, de uma tenda, possuem um elaborado e complexo sistema
de ritos a fim de assegurar a integridade espiritual do ambiente que passarão a ocupar. Delimitar o terreno é a etapa inicial, a primeira
forma de protegê-lo, sacralizando o espaço que se quer ocupar.
Os antigos, como gregos e romanos, por exemplo, quase sempre acompanhavam o lançamento das fundações de uma casa com o sacrifício de um ou mais animais. Modernamente, muitos templos de religiões afro-brasileiras, também acompanham o rito ancestral. Considera-se que a alma do animal sacrificado passa a
habitar o local, como um tipo de guardião ou gênio tutelar. Alguns terreiros também possuem um local específico para abrigar as energias dos mortos:
um buraco cavado nos fundos da casa e que se comunica, miticamente, com as profundezas da terra e os segredos que ela contém.
A participação dos ancestrais na proteção da casa através de um culto doméstico é um fato importante a considerar. Além da deusa Héstia ou Vesta, que no mundo greco-romano eram as deusas do lar e entronizadas na lareira, o coração da casa, havia a veneração dos Lares e Penates, as almas dos antepassados a zelar por seus descendentes. A manutenção desse culto e as cerimônias votivas eram levadas a cabo pelo pater família, que exercia as funções de sacerdote. A transferência da família para outra moradia implicava na cuidadosa remoção do altar e sua entronização na nova casa. Abandonar esse culto seria equivalente a romper a corrente dos ancestrais e provocar a ira dos deuses.
Ainda hoje cada evento, feliz ou trágico, que afete ou transforme o grupo familiar é motivo para rituais próprios para cada ocasião. No Brasil há toda uma série de tabus e proibições sobre a casa, muitas vezes iguais às da Antiguidade.
A maioria das pessoas jamais levaria uma vassoura de uma casa velha para uma nova, pois equivaleria a levar o passado junto. da mesma forma, tampouco varrem a casa à noite, para não pertubar as almas - possivelmente dos antepassados - que podem estar ali.
Outros lavam periodicamente o rodapé da casa com anil, enquanto os católicos chamam o padre para percorrer todos os quartos aspergindo água-benta.
Há orações fortes que o povo usa para proteção e que devem ser ditas nos quatro cantos da casa. Alguns, desde muito antes da popularização do feng-shui,
colocam um espelho em frente à porta de entrada, de modo que reflita a imagem de quem chega, devolvendo-lhe qualquer energia negativa que porventura
esteja trazendo consciente ou inconscientemente.
O uso de cristais e plantas, como a arruda, a espada-de-são-jorge, o comigo-ninguém-pode, o alecrim e muitas outras têm excelentes efeitos "purificadores"
das energias negativas ou intrusas. A manutenção de vasos com flores também favorece a circulação das energias emocionais e facilita a habitalidade.
A moderna decoração de ambientes tem reconhecido através do Feng Sui a importância do conceito oriental da casa enquanto um organismo dinâmico, bem mais do que mera estrutura espacial. Uma triste comprovação disso são as casas ditas mal assombradas, contaminadas por uma energia emocional nefasta que impregna o ambiente e que só pode ser retirada com ajuda profissional.
Na Odisseia, quando Ulisses mata os inimigos que lhe haviam ocupado a casa, manda lavar o sangue e purificar o ar com enxofre. Assim como os humanos, a casa também está sujeita a traumas e necessita purificação. Assim como os humanos, a casa também está sujeita a traumas e necessita purificação. O importante é conceber o ambiente doméstico como um sistema fechado de energia, que deve ter regulado suas relações com o exterior. A administração eficaz dessas relações será a garantia, de um ambiente sadio e acolhedor, espelho fiel de uma intensa necessidade de ser feliz e de estar bem no mundo.


Antonio Augusto Fagundes Filho em Guia da Cultura Proibida.

sábado, 26 de novembro de 2011

Contribuição Rimbauldiana

O Relâmpago*

        O trabalho humano! é a explosão que, de vez em quando, ilumina meu abismo.
        "Nada é vaidade; ruma à ciência, e para a frente!" clama o moderno Eclesiastes, isto é, Todo mundo. E contudo os cadáveres dos mais e ociosos caem sobre o coração dos outros...Ah! depressa, mais depressa; lá embaixo, além da noite, essas recompensas futuras, eternas...escaparemos delas?
        - Que posso fazer? Conheço o trabalho; e a ciência é muito lenta. Que o coração anda a galope e a luz atroa...eu o vejo bem. É muito simples; e faz muito calor; não precisarão da minha ajuda. Tenho minha obrigação; como vários outros, eu me orgulharei em pô-lo ao lado.
         Minha vida está gasta. Vamos! finjamos, banquemos os vadios, ó piedade! E existiremos divertindo-nos, sonhando amores monstruosos, universos fantásticos, lamentando-nos e censurando as aparências do mundo, saltimbanco, mendigo, artista, bandido, - padre! No meu leito de hospital, o cheiro de incenso voltou poderosamente: guardião dos aromas sagrados, confessor, mártir...
         Reconheço, ali, a sórdida educação que recebi na infância. Depois, o quê!...Atravessar os meus vinte anos, se os outros vão atravessar os seus...
         Não! não! agora eu me revolto contra a morte! O trabalho parece demasiado leve para o meu orgulho: minha traição ao mundo seria um suplício muito curto. No derradeiro momento, eu investiria para a direita, para a esquerda...
        Então, - oh!- cara e pobre alma, a eternidade estaria perdida para nós!



* Uma Temporada no Inferno de Jean-Arthur Rimbaud