segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
Zaratustra - Nietzsche
OS SETE SELOS
I
Se sou um adivinho, cheio desse espírito adivinhatório que caminha por uma alta crista entre dois mares, que caminha entre o passado e o futuro como uma densa nuvem inimiga de todos os lugares baixos, de tudo quanto está fatigado e não pode morrer nem viver; disposta a rasgar o seu obscuro seio, como o relâmpago, disposta a fulminar o raio de claridade redentora, cheia de relâmpagos que dizem sim! que riem sim! pronta a exalações adivinhadoras — mas, ditoso do que está assim cheio! e, na verdade, forçoso é cingir-se ao cume como pesada tormenta aquele que deve acender um dia luz do futuro! — se eu sou assim, como não hei de estar anelante pela eternidade, anelante pelo nupcial anel dos anéis, o anel do regresso das coisas?
Ainda não encontrei mulher de quem quisesse ter filhos, senão esta mulher a quem amo: porque te amo, eternidade!
Por que te amo, eternidade!
domingo, 6 de novembro de 2011
PERFORMANCE
trechos intensos do texto do xexener:
“tomar consciência do comportamento restaurado é reconhecer o processo pelo qual processos sociais, em suas múltiplas formas, são transformadas em teatro. (...) A performance no comportamento restaurado quer dizer que nunca pela primeira vez, sempre pela segunda e assim até enesima: comportamento duas vezes vivenciado” p. 10
“Na verdade, se as pessoas normalmente não entrassem em contato com suas multiplas personas, a arte de atuar e a experiência de dominação pelo transe não seria possível” p.9
A partir disso podemos pensar que na primeira metade do texto, Schechner fala o que é o comportamento restaurado, nos assegura que mesmo especulando sobre a performance, ela pode SER muitas coisas, é um movimento fluido como acreditava Heráclito. Uma performance de vanguarda é aquela que consegue alocar dentro de um espaço novo, um comportamento restaurado em um contexto atual - daí a importância de ter estudado o Agamben e o contemporãneo, pra entender que uma coisa é marmota e outra o que buscamos na atualidade, no presente e na presença. E quando se fala de nu, percebe-se a diferença de fazer uma performance nu há 50 anos atrás e hoje,
um ponto de discussão: como pensar a nudez na performance? de que maneira se mostra o corpo, a noção de carne? e presença do erótico ou não?
- sendo
- fazendo
- mostrar fazendo
- explicar “mostrar fazendo”
“Honrar o comum é notar como se parece com um ritual a vida cotidiana, o quanto da vida diária consiste-se de repetições” página 3.
Palavras-chave rotina/papel/situação
Definição de papel social como a encenação de direitos e deveres de um certo status.
Performance
Teoria do comportamento restaurados -> ritos repetidos, alguns deles dando uma maioridade.
+
Heráclito -> Um homem não passa no mesmo rio duas vezes.
Cada ocasião da performance vai ser diferente, mesmo se for reproduzida por vídeo, a forma como é recebida, a percepção envolvida torna a recepção única e singular em cada momento. “interatividade está sempre em fluxo”
A PERFORMANCE ACONTECE ENQUANTO AÇÃO, INTERAÇÃO E RELAÇÃO. ESTÁ NO “ENTRE”.
O MUNDO DA PERFORMANCE E O MUNDO ENQUANTO PERFORMANCE.
Momentos duas vezes experienciados envolve treino e ensaio. Tanto na vida cotidiana, como na vida cerimonial e na vida artística a busca é para encontrar e definir um lugar do comum, sem banalizá-lo.
8 Tipos de fazer performance
1. Na vida cotidiana
2. Nas artes
3. Nos esportes e entretenimento de massa
4. Nos negócios
5. Na tecnologia
6. No sexo
7. Nos rituais – sagrados e temporais
8. Em ação
A ideia de que performance não é uma definição presa a conceitos centrais e sim conceitos que expandem para caminhos diversos.
“Que toda atividade humana pode potencialmente ser considerada enquanto ‘performance’ ou que pelo menos, toda atividade carrega consigo uma consciência disso” Marvin Carlson
A partir deste caminho, Schechner passeia pelas incursões da arte nos campos religiosos e sobretudo nos esportes, a exemplo dos “atletas estéticos” como na patinação e ginástica.
“Os hábitos, os rituais e as rotinas da vida são comportamentos restaurados. (...) O comportamento restaurado é o processo principal de todos os tipos de performance.” Página 8.
Pauta para discussão: a ideia dos muitos “eus”, identidades achadas para “além do que eu sou”. papéis que assumimos no mundo cerimonial do trabalho, num mundo ritualistico da religião e também no social, denominados os afetos e as linguagens intraduziveis do comportamento. A partir desses papéis da vida cotidiana, pensamos como a performance ganha também seu elemento de performance, a partir do rito, do cotidiano, etc. Schechner nos mostra como exemplo a luta livre, que apesar de ser ensaiada e repetida, tem como magia a idéia de ter uma “falta de lei”, mas esta falta de lei é apenas mais um elemento do jogo. da ação.
O comportamento restaurado está fora do eu, portanto quando se pensa performance, se pensa, se duvida, de onde podemos realizar na performance esse rito, essa magia, fora e além do eu.
-//-
terça-feira, 1 de novembro de 2011
http://www.youtube.com/watch?v=GuS0ibnemcM&feature=player_embedded
http://vimeo.com/14754188
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
agamben +1
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Uma sábia feiticeira, alquimista e, claro professora (que não faz idéia de que lhe atribuo essas duas primeiras alcunhas) ao tecer comentários sobre “O que é o Contemporâneo?” (Agamben) disse que ser contemporâneo é : ser pontual num compromisso que se pode apenas faltar.
Abençoados os lúcidos e os contemporâneos. Os contemporâneos são raros disse ela. Porque quando nos deparamos com essa pergunta temos que nos confrontar com o tempo e com a história. É sobre uma concepção de tempo e uma concepção de história que Agamben estaria falando. Temos de nos perguntar: o que é o tempo? O quê é o presente?
Pensar em contemporaneidade como sendo o pertencimento a uma época é muito pouco. Ser contemporâneo seria ter uma relação especial e singular com o tempo. É uma experiência especial no sentido de ser específica. É uma relação paradoxal: ao mesmo tempo que se está nele (no tempo, no seu tempo), logo que não se pode fugir dele, ao mesmo tempo toma-se uma distância dele. É escolher um ponto de vista anacrônico. É aderir ao tempo por meio de uma distância e escolher um ponto de vista anacrônico. O contemporâneo é o intempestivo, é aquilo que subitamente, inesperadamente, está se colocando fora de uma continuidade temporal e por isso pode olhar o seu próprio tempo. É aquilo/aquele que esta no seu tempo e contra o seu tempo. É saber ver não o que está claro, as luzes, mas a obscuridade. Isto é, perceber o escuro do seu tempo. É pensar como diz Agamben que o escuro é a luz que vem para nós mas não consegue nos alcançar. (As galáxias estão em expansão.) Os raros contemporâneos são aqueles que são capazes de perceber o que está se afastando de nós, aquilo que declina, aquilo que de longe emite luz. O interessante é ver que a luz se endereça a nós mas não consegue nos alcançar. Então que concepção de tempo estamos tendo quando fazemos a pergunta O que é o contemporâneo? É dessa singular relação com o tempo que se fala, de uma dissociação, de um anacronismo. Porque “aqui” há vários aquis. E “agora” há vários agoras. Pois o que é próprio de um tempo é o modo como este se relaciona com o tempo. O tempo não é uma ilusão. É uma experiência.
Casa relâmpago, tentando emitir esses pequenos fragmentos das luzes que nos são endereçadas.
Sê pontual, mesmo que essas luzes não venham nos alcançar.