domingo, 20 de novembro de 2011

Zaratustra - Nietzsche

OS SETE SELOS

I

Se sou um adivinho, cheio desse espírito adivinhatório que caminha por uma alta crista entre dois mares, que caminha entre o passado e o futuro como uma densa nuvem inimiga de todos os lugares baixos, de tudo quanto está fatigado e não pode morrer nem viver; disposta a rasgar o seu obscuro seio, como o relâmpago, disposta a fulminar o raio de claridade redentora, cheia de relâmpagos que dizem sim! que riem sim! pronta a exalações adivinhadoras — mas, ditoso do que está assim cheio! e, na verdade, forçoso é cingir-se ao cume como pesada tormenta aquele que deve acender um dia luz do futuro! — se eu sou assim, como não hei de estar anelante pela eternidade, anelante pelo nupcial anel dos anéis, o anel do regresso das coisas?

Ainda não encontrei mulher de quem quisesse ter filhos, senão esta mulher a quem amo: porque te amo, eternidade!

Por que te amo, eternidade!

domingo, 6 de novembro de 2011

Resumo – Scechner – O que é performance? Out/11
PERFORMANCE
trechos intensos do texto do xexener:

“tomar consciência do comportamento restaurado é reconhecer o processo pelo qual processos sociais, em suas múltiplas formas, são transformadas em teatro. (...) A performance no comportamento restaurado quer dizer que nunca pela primeira vez, sempre pela segunda e assim até enesima: comportamento duas vezes vivenciado” p. 10

“Na verdade, se as pessoas normalmente não entrassem em contato com suas multiplas personas, a arte de atuar e a experiência de dominação pelo transe não seria possível” p.9

A partir disso podemos pensar que na primeira metade do texto, Schechner fala o que é o comportamento restaurado, nos assegura que mesmo especulando sobre a performance, ela pode SER muitas coisas, é um movimento fluido como acreditava Heráclito. Uma performance de vanguarda é aquela que consegue alocar dentro de um espaço novo, um comportamento restaurado em um contexto atual - daí a importância de ter estudado o Agamben e o contemporãneo, pra entender que uma coisa é marmota e outra o que buscamos na atualidade, no presente e na presença. E quando se fala de nu, percebe-se a diferença de fazer uma performance nu há 50 anos atrás e hoje,

um ponto de discussão: como pensar a nudez na performance? de que maneira se mostra o corpo, a noção de carne? e presença do erótico ou não?


- sendo
- fazendo
- mostrar fazendo
- explicar “mostrar fazendo”
“Honrar o comum é notar como se parece com um ritual a vida cotidiana, o quanto da vida diária consiste-se de repetições” página 3.
Palavras-chave rotina/papel/situação
Definição de papel social como a encenação de direitos e deveres de um certo status.
Performance
Teoria do comportamento restaurados -> ritos repetidos, alguns deles dando uma maioridade.
+
Heráclito -> Um homem não passa no mesmo rio duas vezes.
Cada ocasião da performance vai ser diferente, mesmo se for reproduzida por vídeo, a forma como é recebida, a percepção envolvida torna a recepção única e singular em cada momento. “interatividade está sempre em fluxo”
A PERFORMANCE ACONTECE ENQUANTO AÇÃO, INTERAÇÃO E RELAÇÃO. ESTÁ NO “ENTRE”.
O MUNDO DA PERFORMANCE E O MUNDO ENQUANTO PERFORMANCE.
Momentos duas vezes experienciados envolve treino e ensaio. Tanto na vida cotidiana, como na vida cerimonial e na vida artística a busca é para encontrar e definir um lugar do comum, sem banalizá-lo.
8 Tipos de fazer performance

1. Na vida cotidiana

2. Nas artes

3. Nos esportes e entretenimento de massa

4. Nos negócios

5. Na tecnologia

6. No sexo

7. Nos rituais – sagrados e temporais

8. Em ação

A ideia de que performance não é uma definição presa a conceitos centrais e sim conceitos que expandem para caminhos diversos.

“Que toda atividade humana pode potencialmente ser considerada enquanto ‘performance’ ou que pelo menos, toda atividade carrega consigo uma consciência disso” Marvin Carlson

A partir deste caminho, Schechner passeia pelas incursões da arte nos campos religiosos e sobretudo nos esportes, a exemplo dos “atletas estéticos” como na patinação e ginástica.

“Os hábitos, os rituais e as rotinas da vida são comportamentos restaurados. (...) O comportamento restaurado é o processo principal de todos os tipos de performance.” Página 8.

Pauta para discussão: a ideia dos muitos “eus”, identidades achadas para “além do que eu sou”. papéis que assumimos no mundo cerimonial do trabalho, num mundo ritualistico da religião e também no social, denominados os afetos e as linguagens intraduziveis do comportamento. A partir desses papéis da vida cotidiana, pensamos como a performance ganha também seu elemento de performance, a partir do rito, do cotidiano, etc. Schechner nos mostra como exemplo a luta livre, que apesar de ser ensaiada e repetida, tem como magia a idéia de ter uma “falta de lei”, mas esta falta de lei é apenas mais um elemento do jogo. da ação.
O comportamento restaurado está fora do eu, portanto quando se pensa performance, se pensa, se duvida, de onde podemos realizar na performance esse rito, essa magia, fora e além do eu.
-//-

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

agamben +1


 Lendo Andreas Huyssen, lembrei muito do Agamben. Continuei a pensar sobre tempo e maneiras de se relacionar com a(s) história(s), debruçando- me ainda sobre a ideia de contemporâneo/vanguarda e os trilhos pelos quais percorrem esses trens, tanto os a vapor, quanto os balas.


Trabalha-se com a desestabilização de oposições alto/baixo, mas uma certa exclusividade pertencente ao alto não se dissipa. Baixo também é exclusivo. Tudo pode ser exclusivo e o que se entende por movimento massivo é a presença.
“perpetuar a velha e gasta estratégia de exclusão é, em si, um sinal daquela ansiedade contra contaminação.”(p.8)

-Primeiro, não chegaremos ao estado de presença com ansiedade, mas sim com fé cega no mistério;
-Segundo, contaminar-se é pressuposto.

“fazer distinções qualitativas é uma tarefa importante para a crítica; eu não concordo com esse pluralismo irrefletido para o qual qualquer coisa presta. Mas reduzi toda crítica cultural ao problema da qualidade é sintoma daquela ansiedade contra a contaminação.” (p.10)

O medo da contaminação soa até como besteira-cega, pois olhem as africas, américas, asias... Olhem o surrealismo que busca objetos das culturas ditas primitivas colocando-os, nos anos 20 do XX, em museus franceses de forma descontextualizada.

[A quem pertence o futuro? ]

“A memória humana pode, sim, ser um dado antropológico, e, intimamente ligada como é às memórias como uma cultura constrói e vive sua temporalidade, as formas que ela tomará são invariavelmente contingentes e sujeitas à mudança”(p.14)

Sim, vivemos impulsos contraditórios, de um ponto a única história enfraquecendo-se devido as narrativas insurgentes e de outro os sistemas de informação globais. Mas a ideia de que pontos são lados ainda pode causar angústia nos pensamentos sistêmicos-dicotômicos.

Drama individual: o problema(do que, meu povo?) é que muitas vezes precisamos lidar com o fato de termos história demais com os postulados individualistas de sujeito. O sujeito uno, tijolo-só, quadrado, que se empilha no grande muro chamado mundo. Lembro quando Fucô fala da ephisteme moderna, que torna o sujeito finalidade e meio de toda forma de conhecimento. #chega

O tempo é relativo, sujeito a múltiplas e diferentes formas de apreensão, o ritmo acelerado das informações recebidas o torna rápido, ao passo, que lhe acumula muitas memórias....talvez um mash-up da página 17 ajude a afinar melhor o sentido de que empreguei nessas palavras:

“há de se supor que a cultura capitalista, com seu ritmo continuamente frenético, sua política televisiva de rápido esquecimento, e sua dissolução do espaço público em canais cada vez mais numerosos de entretenimento instantâneo, é inerentemente amnésica.(...)(...) observação de que(...)nossa cultura é obcecada pela questão da memória.(...)pensar a memória e a amnésia juntas em vez de simplesmente opô-las”(p.17)

Assim, a memória funcionaria como “uma forma reativa contra os acelerados processos técnicos” e, tchan, tchan, ela representa “a tentativa de diminuir o ritmo de processamento de informações, de resistir à dissolução do ritmo do processamento de informações, de resistir à dissolução do tempo na sincronicidade do arquivo, de descobrir um modo de contemplação fora do universo de simulação, da informação rápida e das redes de TV a cabo, de afirmar algum “espaço_âncora” num mundo de desnorteante e muitas vezes ameaçadora heterogeneidade, não-sincronicidade e sobrecarga de informações”(p.18)

Richard Schechner: “o que é performance? -execução/ desempenho/ façanha/ proeza/ representação/ função espetáculo/ atuação/ capacidade de realizar trabalho/ rendimento.”

“Frequentemente, esta moderna estrutura de temporalidade, de viver e experimentar o tempo, tem sido criticada como enganadora ou perigosa, especialmente na tradição do anti-capitalismo romântico e dos críticos do Iluminismo.”(p.19)

“Portanto, nós não estamos apenas experimentando outro surto de pessimismo e crítica ao progresso, mas vivendo a transformação da estrutura de temporalidade moderna em si.”(p.19)

“Nesta visão distópica de um futuro high-tech, a amnésia não seria mais parte da dialética entre memória e esquecimento. Ela seria seu outro radical, decretando o verdadeiro esquecimento da própria memória: nada para lembrar, nada para esquecer”(p. 20)

drama cênico individual: se a memória é a matéria-prima dos nossos estados de presença, reverência a ela, que única, que singular, que una em sua fragmentação..



Fichamento livre da Introdução do livro Memórias do Modernismo, de Andreas Huyssen, Editora UFRJ, 1997.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Uma sábia feiticeira, alquimista e, claro professora (que não faz idéia de que lhe atribuo essas duas primeiras alcunhas) ao tecer comentários sobre “O que é o Contemporâneo?” (Agamben) disse que ser contemporâneo é : ser pontual num compromisso que se pode apenas faltar.

Abençoados os lúcidos e os contemporâneos. Os contemporâneos são raros disse ela. Porque quando nos deparamos com essa pergunta temos que nos confrontar com o tempo e com a história. É sobre uma concepção de tempo e uma concepção de história que Agamben estaria falando. Temos de nos perguntar: o que é o tempo? O quê é o presente?

Pensar em contemporaneidade como sendo o pertencimento a uma época é muito pouco. Ser contemporâneo seria ter uma relação especial e singular com o tempo. É uma experiência especial no sentido de ser específica. É uma relação paradoxal: ao mesmo tempo que se está nele (no tempo, no seu tempo), logo que não se pode fugir dele, ao mesmo tempo toma-se uma distância dele. É escolher um ponto de vista anacrônico. É aderir ao tempo por meio de uma distância e escolher um ponto de vista anacrônico. O contemporâneo é o intempestivo, é aquilo que subitamente, inesperadamente, está se colocando fora de uma continuidade temporal e por isso pode olhar o seu próprio tempo. É aquilo/aquele que esta no seu tempo e contra o seu tempo. É saber ver não o que está claro, as luzes, mas a obscuridade. Isto é, perceber o escuro do seu tempo. É pensar como diz Agamben que o escuro é a luz que vem para nós mas não consegue nos alcançar. (As galáxias estão em expansão.) Os raros contemporâneos são aqueles que são capazes de perceber o que está se afastando de nós, aquilo que declina, aquilo que de longe emite luz. O interessante é ver que a luz se endereça a nós mas não consegue nos alcançar. Então que concepção de tempo estamos tendo quando fazemos a pergunta O que é o contemporâneo? É dessa singular relação com o tempo que se fala, de uma dissociação, de um anacronismo. Porque “aqui” há vários aquis. E “agora” há vários agoras. Pois o que é próprio de um tempo é o modo como este se relaciona com o tempo. O tempo não é uma ilusão. É uma experiência.

Casa relâmpago, tentando emitir esses pequenos fragmentos das luzes que nos são endereçadas.

Sê pontual, mesmo que essas luzes não venham nos alcançar.

domingo, 16 de outubro de 2011

Post da Galeria Pirata Arts

Consideramos a arte como uma das formas de consciência social. Segundo Ernst Fischer (” A Necessidade da Arte“)… “a função essencial da arte para uma classe destinada a transformar o mundo não é a de fazer mágica e sim a de esclarecer e incitar à ação; mas é igualmente verdade que um resíduo mágico na arte não pode ser inteiramente eliminado, de vez que sem este resíduo provindo de sua natureza original a arte deixa de ser arte. “A mesma dualidade – de um lado, a absorção na realidade e, de outro, a excitação de controlá-la – não se evidencia no próprio modo de trabalhar do artista? Não nos devemos enganar quanto a isso: o trabalho para um artista é um processo altamente consciente e racional, um processo ao fim do qual resulta a obra de arte como realidade dominada, e não – de modo algum – um estado de inspiração embriagante.